sexta-feira, 27 de novembro de 2009

SENSEI SHIBAYAMA E O SURGIMENTO DA ASSOCIAÇÃO DE JUDÔ KENSHIN E SUA FILOSOFIA

SENSEI SHIBAYAMA O SURGIMENTO DA ASSOCIAÇÃO de judô KENSHIN E SUA FILOSOFIA
(OSASCO)06/11/2009 03:28:33



JUDÔ EM JAPONES ESCREVE-SE COM DOIS IDEOGRAMAS.
            JU = QUE TAMBEM SE LÊ YAWARA SIGNIFICA SUAVE.
            DÔ = QUE TAMBEM SE LÊ MITI SIGNIFICA CAMINHO.
            JUDÔ = CAMINHO SUAVE.


NA ASSOCIAÇÃO KENSHIN SÃO UTILIZADAS ALGUMAS PALAVRAS CUJO SIGNIFICADO É IMPORTANTE CONHECER.

            MOKUTÔ (LÊ-SE MOKUTOO) = ORAÇÃO EM SILÊNCIO.
            MOKUSSO (LÊ-SE MOKUSSOO) = MEDITAÇÃO.
            ONEGAI SHIMASSU = POR FAVOR.

            REI = CUMPRIMENTO (PRONUCIA-SE COMO O “R” DE “AREIA”).


Kenshin e seu significado

ken = manifestação, aparecimento
shin = real, verdadeiro
kenshin = manifestação da verdade

A verdade do método do Sensei Shibayama, portanto da Kenshin dojô, resume-se em duas palavras japonesas: shinsei kaihatsu.

shin = Deus (verdade)
sei = natureza
kaihatsu = exteriorizar
SHINSEI KAIHATSU = “fazer exteriorizar a natureza divina de cada um”

Significa que todo homem é filho de Deus perfeito saudável sem mácula sem pecado.

O método consiste em acreditar que o homem verdadeiro aquele que habita o fundo de nossa alma, é incapaz de pecar e incapaz de praticar o mal.

Enxergando-se o homem bom perfeito, este se manifestará. é este o método da associação de judô Kenshin.

Todo homem no íntimo de seu íntimo é bom, não existem pessoas ruins, mas existem pessoas iludidas que acreditam em valores errôneos. e se pessoas a nossa volta nos parecem más, também somos responsáveis, pois não estamos enxergando naquele errante o homem feito a imagem e semelhança de Deus.

A prática do verdadeiro judô se dá quando há:1 - respeito ao adversário.2 - espírito de paz.

O respeito ao adversário é conseqüência do reconhecimento do ser perfeito que nele habita. graças a ele, (adversário), podemos aprimorar o nosso judô.

O espírito de paz de não agressão de não violência é necessário para o desenvolvimento e compreensão das técnicas de judô. paz no espírito significa um espírito sem ódio, sem temor, que

São máculas passageiras que nos induzem ao erro.

Por que surge o ódio, o rancor, a inveja, o egoísmo?

Surge do medo, surge da consciência da fraqueza do homem, surge da ignorância do homem ao esquecer que é um ser perfeito, que tem origem divina, surge porque o homem se esquece que deus está em seu coração e que olha por ele.

Aquele que tem deus em seu coração, é forte, praticará o bom judô, pois tem a vida de deus e é por ele vivificado.

O ódio, o rancor, a violência, o medo, o egoísmo, o pecado, são as ditas crenças errôneas, o odioso, o rancoroso, o violento, o medroso, o egoísta, são pessoas que vivem na ilusão, nas trevas, não sabem que dentro de si habita a natureza superior às fraquezas terrenas. Fazer despertar e exteriorizar essa natureza, é o método e o objetivo da Associação de Judô  Kenshin.
Sensei Shibayama











Veio do Japão com 24 anos. nessa ocasião aperfeiçoou-se tanto nas técnicas de judô que seu objetivo era unicamente a vitória. A única coisa que lhe interessava era derrotar o seu adversário em cima do tatami ou fora dele, perder, jamais. Sua mãe pediu-lhe então que abandonasse o judô.

Triste foi trabalhar na lavoura apesar de um forte judoca sentia-se vazio, seu judô parecia não ter conteúdo, não ter significado.

Apesar de agricultor trabalhando no cabo da enxada, a insatisfação o atormentava, “que judô é este que me faz sentir vazio? Devia estar satisfeito comigo mesmo”.

Um dia, aos 37 anos, trabalhando na roça notou que a terra parecia rejeitar a violência aplicada no cabo da enxada, ao contrário quando se esqueceu de si próprio e tornou-se um só com instrumento, e seguiu o curso da enxada, (acompanhou o movimento da enxada), notou que o esforço necessário era mínimo, a enxada parecia obedecer-lhe sem que para isto precisasse aplicar muita força.

Compreendeu então o sentido do “kuzushi” (desequilíbrio), essência das técnicas do judô, usando-se o movimento, o deslocar-se do adversário, unindo-se ao movimento dele, o dispêndio de força energia é bem menor. Compreendeu o respeito e a não violência.

Decidiu então fundar uma academia e recomeçaram os treinos de judô, a princípio sem dinheiro e agricultor na chácara da família Menck em Osasco. Trabalhava na lavoura durante o dia e a noite, com sua família, tirava terra do barranco para fazer o tatami onde haveria de treinar, seu primeiro tatami no Brasil foi o barranco desmanchado por ele e sua família, forrado com um pouco de palha e coberto com uma lona.

Vendo a grande força de vontade do jovem Shibayama, a família Menck e algumas famílias da colônia japonesa resolveram ajudá-lo e cobriram com um telhado a nascente academia Kenshin que funcionava a céu aberto, membros da colônia, chegavam a lamentar em tom de brincadeira que perdiam a única academia de judô que tinha o céu por telhado, corria então o ano de 1956.

Sensei Shibayama sempre quis ter uma academia melhor, mas o fracasso na lavoura era constante e nunca sobrava dinheiro, até que conseguiu após anos funcionando na chácara da família Menck, junto com seu genro Sensei Sadao Doi, Sensei Takatomo Yokote, Sensei Dr. Siokiti Takimoto, Sensei Walter Baxter, transferirem-se por um período nas instalações da Cobrasma no centro de Osasco realizando os treinos na quadra esportiva da fábrica, já neste período com a participação ativa do Sensei Paulo Fugio Fukushima, acabando por mudar a academia para a rua da Estação onde por quase 25 anos permaneceu.

Desde então, muitos atletas e muitos faixas pretas formaram-se no tatami e com os ensinamentos do dojô Kenshin, (texto até este ponto traduzido e escrito pelo sr. Gerson Kaneoya).



De Ramiro A. Vaz:

Com o avanço do tempo, a área alugada na rua da estação estaria sendo desapropriada para novas obras, tendo a academia Kenshin, sem reservas financeiras, muito mais ajudando, sem ônus os atletas, do que cobrando mensalidades altas, ficado sem local nem destino para seus treinos, época em que a família Fukushima e o Sensei Takatomo Yokote orientados pelo Sensei Shibayama conduziam os treinamentos.

Em uma memorável reunião, estes diretores e fundadores, juntamente com os atletas mais assíduos, que amorosamente enxergavam a missão social, educacional, desportiva do dojô kenshin, decidiram lutar e impulsionados por um grande espírito de união em torno de um ideal, 

Empenharam-se, cotizaram-se e conseguiram comprar um imóvel a rua Licínio de Castro, 75, nossa atual sede, (uma das poucas academias de judô que sem fins lucrativos, possue uma sede própria), ocasião em que pela primeira vez Sensei Shibayama agradecido chorou copiosamente, até providenciarmos a conclusão das obras para fazermos a mudança, os treinos eram realizados na residência do sr. Jorge Fukushima, corria então o ano de 1989.



Foto de nossa querida Kenshin no nosso endereço atual. 1989 — Licínio de Castro, 75, Osasco, SP

Dez anos passaram-se e em 1999, nosso mestre e idealizador, deixava no solo brasileiro seu instrumento físico, e passou seu ideal a habitar em nossos espíritos, através de seus ensinamentos, de suas palavras, de suas técnicas. lutamos muito hoje por manter vivos estes ensinamentos, pois vivemos época em que os padrões de respeito, de dever, de honra, de humildade, de determinação estão distorcidos.

Sabemos que vamos continuar, pois parece-nos muito clara a necessidade de que em cada criança que temos a honra e a confiança de recebermos, devamos depositar os valores profundos de respeito, de caráter, de dignidade, de união, de determinação, de convivência, de dedicação, de solidariedade enfim de amor ao próximo que Sensei Shibayama nos confiou.

Nestes dias recebemos jovens atletas que podem contribuir eventualmente, mas um número crescente de jovens que querem e tem potencial para treinar, dos quais muitos temos acolhido, nos procuram, sem condições financeiras. 





MAIS RECENTEMENTE INICIAMOS EM 22/05/2004 UM PROJETO COM 33 CRIANÇAS DE 05 A 14 ANOS JUNTO À UMA ENTIDADE RESPEITADA DE AUXÍLIO AS CRIANÇAS CARENTES E MINISTRAMOS OS ENSINAMENTOS, O QUE NOS É MUITO GRATIFICANTE, VEMOS A NECESSIDADE DE EXPANDIR ESTE PROJETO, POIS PARTICIPAMOS DE TODOS OS CALENDÁRIOS OFICIAIS E AMISTOSOS DE COMPETIÇÕES DA MODALIDADE JUDÔ, TEMOS NESTES MUITOS ANOS (48 NESTE ANO DE 2005), CONSEGUIDO MUITOS TÍTULOS, REGIONAL, PAULISTA E NACIONAL.
           
“AOS ESFARRAPADOS DO MUNDO E AOS QUE NELES SE DESCOBREM E ASSIM DESCOBRINDO-SE, COM ELES SOFREM, MAS, SOBRETUDO, COM ELES LUTAM”
            PAULO FREIRE.

“NÃO PODEIS FERIR SENÃO O CORPO. PODEREIS AMARRAR-ME DE PÉS E MÃOS; QUEBRAR-ME A CABEÇA, MAS AS MINHAS CONVICÇÕES SÃO INTANGÍVEIS, INACESSÍVEIS AOS VOSSOS PROCESSOS DE PERSEGUIÇÃO.”.
                PAULO DE TARSO

            “A PAZ COMEÇA DENTRO DE NÓS MESMOS E IRRADIA PARA FORA, PARA CONTAMINAR OS OUTROS COM ESTE NOSSO COMPORTAMENTO CONSTRUTIVO E HUMANO” .
H.S.

            “VOSSO PRÓXIMO É VOSSO OUTRO EU, MORANDO ATRÁS DE UMA PAREDE. PELA COMPREENSÃO, TODAS AS PAREDES CAIRÃO.”
GIBRAN KHALIL GIBRAN


            “NÃO EXISTEM MURALHAS OU BARREIRAS QUE ME IMPEÇAM DE ATINGIR O MEU IDEAL”
SENSEI SUKEJI SHIBAYAMA



Agora pai, levei meus filhos para treinar judô na mesma academia. Sensei me recebeu com alegria. Contou-me a história da academia desde que eu havia me ausentado. Enquanto as crianças treinavam, conversávamos. Quase sempre assuntos filosóficos, o de que mais gostava e a sua estreita relação com o Judô.


Mifune (esquerda) no treinamento
com Kanō
Foi aluno de Kyuzo Mifune, considerado o melhor aluno de Jigoro Kano, fundador do judô. Ao abrir as portas para o ocidente a partir da Reforma Meiji em 1868, o Japão recebeu inúmeros estrangeiros que vieram para negociar ou lecionar nas universidades japonesas, então ignorantes nos conhecimentos ocidentais. Norte-americanos se interessaram pela nova arte marcial que estava surgindo e convidaram Jigoro Kano para ensinar judô nos EUA. O fundador enviou então Mifune e mais um aluno. Mas, chegando lá, despertaram pouca atenção. O tempo foi passando e o dinheiro acabando. Mas quando acabava, o aluno sempre aparecia com algum. Curioso, um dia Mifune foi ver onde o aluno conseguia dinheiro. O rapaz participava de lutas de rua em que se oferecia dinheiro ao vencedor.Mifune resolveu que aquele não era o método adequado à sua missão e não era certamente a vontade do sensei Jigoro. Fez então um desafio. Acendeu dez velas e desafiou os presentes a apagá-las com um só movimento sem tocar nelas. Ninguém conseguia. Ao final, Mifune, pequeno e magro para os padrões norte-americanos, descalço, apagava todas com um único movimento de um pé. No judô, este golpe chama-se ashibarai (varrer com os pés). É fato que não consta nos livros da História do Judô. Foi contada pelo mestre Mifune ao seu aluno Shibayama e este o contou para mim. Engraçada e folclórica, mas foi como o judô entrou nos EUA.Quando ia assistir aos treinos, quase sempre pedia, ao final, que eu subisse no tatami para traduzir aos judocas sua pequena preleção. Sensei era inteligente. Havia se diplomado em língua chinesa numa faculdade do Japão. Respeitoso, acho que me chamava mais em consideração à minha presença do que propriamente pela sua insuficiência com o idioma. Todos entendiam perfeitamente seu português. Me chamava de senhor e de  Kaneoya-sensei, à mim que não passei da faixa vermelha e não treinei mais que dois anos de judô.Sensei Shibayama nos deixou em 4 de julho de 1999 aos 88 anos.Havia deixado um único filho biológico, Américo, meu colega de ginásio, que faleceu antes dele. Mas deixou inúmeros filhos de Academia. Alguns não lutam mais judô, mas certamente se sentem felizes por haverem conhecido este grande mestre judoísta que nos deixou profundas lições de vida.Quem foi judoca, nunca deixará de sê-lo. Sai-se do judô, mas o judô não sai de nós. Estou certo de que os ensinamentos do sensei Shibayama moldaram marcantemente o caráter de muitas crianças, jovens e adultos que hoje mostram a influência dos ensinamentos daquele sábio senhor em suas vidas. Centenas, talvez milhares de alunos passaram pela Academia nestes mais de 50 anos de existência.Estou certo de que os atuais mestres elevam o nome da Academia Kenshin ao formarem não apenas o atleta, mas o ser humano sob os ensinamentos do sensei Shibayama, calcados no respeito, amor, benevolência, disciplina e dedicação ao próximo. São pessoas que acreditam na excelência do ser humano e engrandecem o patrimônio espiritual do homem pela prática do judô.À mim, sensei não ensinou apenas judô. O mais importante, ensinou-me como fazem os grandes mestres: sem palavras, pelo exemplo, mostrando-me seu amor e respeito ao próximo, aos discípulos e à academia.Quando visito a Academia, vejo na parede seu retrato, sentado, olhar sereno, de faixa coral.Como diria Drummond, ao final do poema Confidência do Itabirano, “mas como dói!”


terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Judô

O Judô

20 outubro 2009
O Sensei Jigoro Kano
O Sensei Jigoro Kano
A criação do judô é atribuída a Jigoro Kano, nascido em 28 de outubro de 1860, em Mikage, distrito de Hyogo, no Japão. Conhecido por sua fragilidade física, compensava seu pequeno porte com tenacidade, coragem e principalmente muita inteligência. Aos 17 anos, iniciou seus treinamentos em Jujutsu (pronuncia-se, em português, Jiu-Jiutsu), mas sempre buscando novos conhecimentos em outras escolas, permitindo-o formar o conjunto de técnicas, doutrinas e princípios que viriam posteriormente a constituir o Judô. Entre 1870 e 1880, em busca da perfeição técnica e moral, Jigoro Kano inicia um estudo sistemático das artes marciais, já com a iniciativa de montar a sua própria escola, o Kodokan, criada em 1882. O Judô chega ao Brasil em 1908, 26 anos depois da fundação da Kodokan, com o advento da imigração japonesa.
Mas o que é o Judô?
Nas palavras do Sensei Jigoro Kano, “o Judô não é o que muitas pessoas acreditam que ele seja; isto é, o judô é mais do que uma arte de luta praticada no dojo. O significado básico do Judô é muito diferente; é universal e profundo”.
Muitas pessoas atribuem ao Sensei Kano a criação do Judô, porém, ele mesmo não gostava dessa atribuição, pois ele não criou algo novo, de fato. A parte técnica do Judô nada mais é do que uma compilação do que o que Jigoro Kano encontrou de melhor nos Jujutsos antigos e em artes como o boxe, o wrestling, o Karatê, etc.
Porém, a parte técnica é apenas o Jujutso. Para ser Judô, é preciso acrescentar a idéia do Seiryoku Zenyo – o melhor uso da energia em busca da eficiência máxima. Segundo Jigoro Kano, qualquer arte marcial que aplicasse o princípio básico do Seiryoku Zenyo se tornaria Judô. Jigoro Kano reconhece que o treinamento das técnicas do Judô não é o único meio para se atingir este princípio universal (Seiryoku Zenyo), entretanto, foi através do treinamento técnico que ele conseguiu compreender a existência deste princípio e é através do Judô que ele procurou divulgar para o mundo.

Sensei Jigoro Kano aplicando a técnica conhecida como "Waki Gatame"
Sensei Jigoro Kano aplicando a técnica conhecida como "Waki Gatame"
Para Jigoro Kano, quanto o princípio da máxima eficiência é utilizado na arte do ataque e defesa e também usado para aperfeiçoar nosso dia-a-dia, isso exige que haja harmonia, auxílio e compreensão entre as pessoas, tendo como resultado o bem-estar e o benefício mútuo, que conhecido como o conceito de jita kyoei, um dos principais valores do Judô.
A palavra Judô é formada por dois ideogramas chineses, sendo que “ju” significa “gentilmente” ou “cedendo passagem” e “do” significa “princípio” ou “caminho”. Portanto, Judô é mais do que uma “arte suave” ou “arte da gentileza” – que em japonês é traduzido por jujutso, ou jiu-jitsu (“jutsu” significa “arte”, ou “técnica”) – mas sim, é o caminho da gentileza, ou seja, é o cultivo do corpo e espirito para ser aplicado no cotidiano, no dia-a-dia, em todas as áreas de atuação e conhecimento, e que por isso, não deve ser praticado apenas no dojo, mas também em casa, no trabalho, no trânsito, no relacionamento familiar e social, enfim, onde for possível.

Nas palavras do Sensei Jigoro Kano:

“Em resumo, o Judô é uma disciplina física e mental, e suas lições podem ser aplicadas na nossa vida diária. O princípio fundamental do judô, que governa todas as técnicas de ataque e de defesa, é que, qualquer que seja o objetivo, ele é mais facilmente alcançado através do uso, com máxima eficiência, da mente e do corpo. O mesmo princípio aplicado em nossas atividades cotidianas leva a uma vida melhor e mais racional”

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fundador da associação Kenshin de Judô - Sukeji Shibayama


SENSEI SHIBAYAMA

Veio do Japão com 24 anos. Nessa ocasião aperfeiçoou-se tanto nas técnicas de judô que seu objetivo era unicamente a vitória. A única coisa que lhe interessava era derrotar o seu adversário em cima do tatami ou fora dele, perder, jamais. Sua mãe pediu-lhe então que abandonasse o judô. Triste foi trabalhar na lavoura apesar de um forte judoca sentia-se vazio, seu judô parecia não ter conteúdo, não ter significado. Apesar de agricultor trabalhando no cabo da enxada, a insatisfação o atormentava, “que judô é este que me faz sentir vazio? devia estar satisfeito comigo mesmo”.
Um dia aos 37 anos, trabalhando na roça notou que a terra parecia rejeitar a violência aplicada no cabo da enxada, ao contrário quando se - esqueceu de si próprio e tornou-se um só com o instrumento, e seguiu o curso da enxada, (acompanhou o movimento da enxada), notou que o esforço necessário era mínimo, a enxada parecia obedecer-lhe sem que para isto precisasse aplicar muita força. Compreendeu então o sentido do “kuzushi”, (desequilíbrio), essência das técnicas do judô, usando-se o movimento, o deslocar-se do adversário, unindo-se ao movimento dele, o dispêndio de força energia é bem menor. Compreendeu o respeito e a não violência. Decidiu então fundar uma academia e recomeçaram os treinos de judô, a princípio sem dinheiro e agricultor na chácara da família Menck em Osasco.
Trabalhava na lavoura durante o dia e a noite, com sua família, tirava terra do barranco para fazer o tatame onde haveria de treinar, seu primeiro tatame no Brasil foi o barranco desmanchado por ele e sua família, forrado com um pouco de palha e coberto com uma lona. Vendo a grande força de vontade do jovem Shibayama, a família menck e algumas famílias da colônia japonesa resolveram ajudá-lo e cobriram com um telhado a nascente academia kenshin que funcionava a céu aberto, membros da colônia, chegavam a lamentar em tom de brincadeira que perdiam a única academia de judô que tinha o céu por telhado, corria então o ano de 1956.
Sensei Shibayama sempre quis ter uma academia melhor, mas o fracasso na lavoura era constante e nunca sobrava dinheiro, até que conseguiu após anos funcionando na chácara da família menck, junto com seu genro sensei Sadao Doi, sensei Takatomo Yokote, sensei Dr. Siokiti Takimoto, sensei Walter Baxter, transferirem-se por um período nas instalações da cobrasma no centro de Osasco realizando os treinos na quadra esportiva da fábrica, já neste período com a participação ativa do sensei Paulo Fugio Fukushima, acabando por mudar a academia para a rua da estação onde por quase 25 anos permaneceu. Desde então, muitos atletas e muitos faixas pretas formaram-se no tatami e com os ensinamentos do dojô Kenshin, (texto até este ponto traduzido e escrito pelo Sr. Gerson Kaneoya). Com o avanço do tempo, a área alugada na rua da estação estaria sendo desapropriada para novas obras, tendo a academia Kenshin, sem reservas financeiras, muito mais ajudando, sem onus os atletas, do que cobrando mensalidades altas, ficado sem local nem destino para seus treinos, época em que a família Fukushima e o sensei Takatomo Yokote orientados pelo sensei Shibayama conduziam os treinamentos.
Em uma memorável reunião, estes diretores e fundadores, juntamente com os atletas mais assíduos, que amorosamente enxergavam a missão social, educacional, desportiva do dojô Kenshin, decidiram lutar e impulsionados por um grande espírito de união em torno de um ideal, empenharam-se, cotizaram-se e conseguiram comprar um imóvel a Rua Licínio de Castro, 75, nossa atual sede, (uma das poucas academias de judô que sem fins lucrativos, possue uma sede própria), ocasião em que pela primeira vez sensei Shibayama agradecido chorou copiosamente, até providenciarmos a conclusão das obras para fazermos a mudança, os treinos eram realizados na residência do Sr. Jorge Fukushima, corria então o ano de 1989. Dez anos passaram-se e em 1999, nosso mestre e idealizador deixava no solo brasileiro seu instrumento físico, e passou seu ideal a habitar em nossos espíritos, através de seus ensinamentos, de suas palavras, de suas técnicas. Lutamos muito hoje por manter vivos estes ensinamentos, pois vivemos época em que os padrões de respeito, de dever, de honra, de humildade, de determinação estão distorcidos. Sabemos que vamos continuar, pois parece-nos muito clara a necessidade de que em cada criança que temos a honra e a confiança de recebermos, devamos depositar os valores profundos de respeito, de caráter, de dignidade, de união, de determinação, de convivência, de dedicação, de solidariedade enfim de amor ao próximo que sensei Shibayama nos confiou. Nestes dias recebemos jovens atletas que podem contribuir eventualmente, mas um número crescente de jovens que querem e tem potencial para treinar, dos quais muitos temos acolhido, nos procuram, sem condições financeiras.
Neste ano de 2013 a Associação Kenshin de Judô completa 56 anos de existencia, conseguindo neste periodo muitos títulos, regional, paulista e nacional.
Parabéns aos judocas da Kenshin.
“Não existem muralhas ou barreiras que me impeçam de atingir o meu ideal”Sensei Sukeji Shibayama






Foto de nossa querida Kenshin no nosso endereço atual. 1989 — em Licínio de Castro, 75, Osasco, SP

Foto tirada em 1997.
Onde os Guerreiros "não descansam"... Nova fachada, faltando grafites e Letreiro. — em Associação de Judo Kenshin.
Foto 25 de junho de 2012.





Foto com a placa com o nome da Associação de Judô KENSHIN após a reforma 12 de agosto de 2012.
Academia do teto de estrelas esta linda!!!


Treino - Kenshin em 2008


Sensei Victor Pastrello e Sensei Romário.




Com nossos amigos da Yanaguimori, Jeferson, José Luis de Souza e Agnaldo (fumaça)
— com Gilson Roberto de Souza, Alessandro Teixeira Lima, Rodrigo Braiani, Cristiano Mori, Victor Pastrello, Vitor Delgado, Marcão Honorato, Eric Ozaki, Willian Koh e Dedé André Duarte em Associação de Judô Kenshin.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=2QKZ6BYGSzM

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=yGByMANMpiQ





domingo, 22 de março de 2009